Tentações da carne, por JR Duran Fotógrafo abre na Galeria Leme mostra com obras de uma pesquisa mais pessoal

Camila Molina
Quais são as tentações da carne? Em sua formação católica, aindaquando morava em Barcelona, sua cidade natal, o fotógrafo JR Duran, com seus 9 anos, fez essa pergunta ao professor. Umaresposta foi dada, mas não foi suficiente. 'Isso ficou na minhacabeça', diz Duran, que no Brasil, desde 1970, se tornou um conhecido fotógrafo. É certo que seu nome está fortemente ligado a muitos trabalhos publicitários e a retratos de mulheres publicados em revistas, mas o que move umfotógrafo é uma eterna curiosidade em relação ao mundo, sua inquietude, como ele mesmo reforça. 'As pessoas têm várias facetas, tenho vários interesses', completa Duran, que inaugura hoje na Galeria Leme a mostra Cautelas, formada por 22 imagens de um trabalho mais 'pessoal', como diz o fotógrafo.
São registros simbólicos, em torno de três temas principais: mundo, demônio e carne. A cor é um forte elemento dessas imagens realizadas em diversas situações (concurso de miss, por exemplo), períodos (mesmo que mais recentes, de 2000 para cá) e lugares do mundo (matadouros, aeroporto de Los Angeles). 'Estava sentindo falta de fazer fotografias para mim mesmo', diz JR Duran, que vai lançar no fim do ano um livro pela Cosac Naify com fotos de viagem.
Há poucos anos, quando editava o material para uma exposição na Faap, Duran descobriu que aqueles três temas sempre estiveram presentes em suas fotos. A constatação coincidiu com a leitura dos escritos do poeta e religioso San Juan de la Cruz (1542-1591). 'De acordo com San Juan de la Cruz o melhor a fazer para que a alma alcance rapidamente o máximo da espiritualidade é resistir às tentações que são o mundo, o demônio e a carne. O mundo é o inimigo mais fácil de se resistir, o demônio o mais complicado e a carne o mais persistente deles', sintetiza Duran.
As fotos de sua mostra Cautelas - não a primeira em uma galeria de arte - têm todas o mesmo tamanho, 1,24 x 1,54 m. Nas paredes, formam uma espécie de palavra-cruzada, se agrupando em séries feitas em torno de temas como gatilho, sangue, vanitas, prazeres, profetas e também algumas feitas em passagens pelo aeroporto de Los Angeles. 'As armas são símbolo da maldade. Mas as minhas fotos não são denúncia, elas não julgam', afirma o fotógrafo. Duran mostra diversos cortes e facetas da vida - 'a gente resiste ou não às tentações' -, mas sua preocupação, como ele frisa, é o lado simbólico e imaginário.
(SERVIÇO) JR Duran. Galeria Leme.Rua Agostinho Cantu, 88,Butantã, 3814-8184. 2.ª a 6.ª, 10 h às 19 h; sáb. até 17 h.Até 2/8. Abertura hoje 19 h
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