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Fotografia NEOCONCRETA - Lançamento do livro e abertura da exposição de Silvio Zamboni

Da redação

Fotos: Silvio Zamboni/Divulgação

ARTES VISUAIS
Paisagem reinventada

Em exposição a ser inaugurada hoje, Silvio Zamboni exibe obras que
misturam pintura e fotografia e apresentam novo enquadramento para as
construções históricas brasileiras

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As formas geométricas, mas sem rigidez, caracterizam o trabalho
do artista

Com o advento das máquinas fotográficas digitais e as modificações das
fotografias em programas de computador, até que ponto essa arte pode
se aproximar da pintura? Essa é a discussão que o artista Silvio
Zamboni propõe ao lançar o livro Fotografia neoconcreta e a exposição
de mesmo nome, hoje, às 19h30, na Galeria Referência do CasaPark.

As fotos foram clicadas em cidades históricas brasileiras,
principalmente Pirenópolis, grande paixão do artista, que serviu de
cenário para cerca de 70% das obras. "Trabalhei com construções
coloniais, que remetem ao conceito de neoconcretismo. As formas são
geométricas, mas possuem sensibilidade e não parecem tão rígidas",
descreve o artista. Detalhes de fendas, mourões e rachaduras são os
principais destaques das fotos que, de acordo com ele, foram pensadas
como pinturas.

Na releitura das construções históricas, Zamboni utilizou o computador
como recurso. "Usando uma teleobjetiva em ângulos fechados e
escolhendo bem o enquadramento, realizei as fotos e logo depois as
modifiquei no computador. Mudei as cores, subtraí algumas, realcei
outras, porém, não mexi na composição básica", explica. Apesar de
transitar entre as duas áreas, Zamboni enxerga os trabalhos de
fotógrafo e de imagemaker como duas coisas distintas. Enquanto um
capta a imagem de forma tradicional, o outro a manipula, criando novas
obras a partir da original.

A exposição é composta por 15 plotagens em tela e nove obras no estilo
fotografia, em papel laminado e sem cobertura de vidro. "Realizei a
técnica de plotagem em tela, coloquei moldura e até mesmo assinei meu
nome com tinta no fim do quadro, para dar a idéia de que aquilo é uma
pintura", conta. O uso da câmera digital deu origem à grande riqueza
de texturas e detalhes, além de possibilitar a existência de obras de
até 1,80m de tamanho. Já o livro vem com 30 fotografias, dispostas de
forma avulsa em uma caixa especial. "Queria fazer uma coisa nova, algo
que fugisse do tradicional. A textura das imagens é diferente para
reforçar o espírito de obra de arte, assim como a caixa. Além disso, o
preço fica mais acessível aos colecionadores", explica.

Nascido em São Paulo, Zamboni começou sua carreira artística pintando
na adolescência. Ao assumir o núcleo de pesquisas em arte do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mergulhou
nesse universo e começou a desenvolver seus estudos e o uso do
computador para modificar as fotografias. Hoje, é Doutor em Artes pela
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP)
e professor do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB).

Além dos cinco livros já lançados, Zamboni tem mais dois prontos, à
espera de patrocínio - o primeiro, com fotografias de 20 cidades
brasileiras e o outro, sobre monumentos e ruas de Pirenópolis. Como
projeto futuro, Zamboni planeja retratar Brasília. "Ainda não sei como
abordar a cidade por meio de fotografias. Acho que é uma coisa muito
séria, que merece mais dedicação. Foi aqui que desenvolvi minha arte
num sentido mais amplo, por isso, gosto de ser sempre qualificado como
um artista daqui", diz.


FOTOGRAFIA NEOCONCRETA

Galeria Referência (CasaPark Shopping). Lançamento do livro e abertura
da exposição de Silvio Zamboni. Hoje, às 19h30. Visitação até 3 de
junho, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das
14h às 20h. O livro estará a venda no local da exposição. Preço: R$ 90.



 
   


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