Daniela Paiva
Da equipe do Correio
Sérgio Sá Leitão abre hoje a mostra Escape: na Fnac

Na lente de Sérgio Sá Leitão, as associações dos elementos e as transposições das imagens criam novo contexto para as paisagens peculiares de sua peregrinação pelo mundo. Nesta noite, o fotógrafo, jornalista, cineasta e autor de cinco livros inaugura na Fnac (ParkShopping) a exposição Escape, com curadoria de Rosely Nakagawa. A mostra reúne 20 retratos produzidos em 10 anos de cliques que economizam nos efeitos para dar vida ao olhar do autor entre a realidade e a fantasia. A exposição circula pelas lojas da Fnac em todo o Brasil. Esteve no Rio, São Paulo, Campinas e permanece em Brasília até 18 de junho. A entrada é gratuita. "O tipo de fotografia que faço é de peregrinação", contextualiza Leitão, 39 anos. "Pego minha câmera e saio passeando por determinados lugares que possam ser interessantes."
Como escritor, Leitão elabora histórias a cada imagem que captura com a lente. "Procuro elementos que possam resultar em pequenos contos e transcendam o factual. Assim, você tem uma visão que não é simplesmente daqueles objetos, mas da história que eles contam, de uma atmosfera de fantasia." Segundo Leitão, essa maneira errante de fotografar possibilita o surgimento de cenas espontâneas. "Não é uma fotografia pré-concebida. Você vai a campo e busca elementos que vão constituir a imagem." A partir dessa perspectiva do ato de fotografar, Leitão ressalta a facilidade amparada na era digital. "O equipamento é mais leve, rápido e permite que você registre uma grande quantidade de imagens." Sobre o tema, Leitão dividirá um bate-papo amanhã, ao lado de Ubirajara Dettmar, fotojornalista e professor da Universidade de Fotografia - Upis; e Marcelo Feijó, fotógrafo e professor da Universidade de Brasília.
O debate O Impacto do Digital no Processo de Criação da Fotografia, mediado pelo jornalista e editor-executivo do Correio Carlos Marcelo, está marcado para as 19h30, também na Fnac. "Trabalhei durante muito tempo com fotografia convencional e, a partir do momento em que os equipamentos digitais chegaram a um nível satisfatório, fiz a migração plena para o digital", conta. Leitão aponta que um dos aspectos estimulantes da mudança é o controle do fotógrafo em todas as etapas do processo de concepção. "Você tem o domínio completo." Leitão afirma que as imagens quase surrealistas não resultam de manipulação excessiva posterior. "Trabalho apenas um pouco com o photoshop (programa de computador) para compensar as limitações do digital, sem fundir fotografias (e com uma linguagem de cor mais saturada)", explica o fotógrafo, que usa elementos como vidro e água para as sobreposições. "Fiz a edição, a seleção, o tratamento e a impressão para alcançar com fidelidade o instante do clique."
ESCAPE Exposição de fotografias de Sérgio Sá Leitão.
Abertura hoje, às 19h30, seguida de apresentação do grupo de jazz de André Togni, na Fnac (ParkShopping). Até 18 de junho.
Visitação: de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 12h às 21h. Entrada franca.
O IMPACTO DO DIGITAL NO PROCESSO DA CRIAÇÃO DA FOTOGRAFIA Debate com Sérgio Sá Leitão (fotógrafo, cineasta e jornalista), Ubirajara Dettmar (fotojornalista e professor da Universidade da Fotografia - Upis) e Marcelo Feijó (fotógrafo e professor da Universidade de Brasília), mediado por Carlos Marcelo (editor-executivo do Correio). Amanhã, às 19h30, na Fnac (ParkShopping). 40 vagas. Inscrições: 2105-2000.
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